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Um dia especial, que já entrou para a história

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Discurso na sessão de outorga da medalha Manoel Beckaman

Na segunda-feira, 09/02, tive a honra e o prazer de receber a medalha Manoel Beckaman, a mais alta condecoração da Assembleia Legislativa do Maranhão, a mais alta condecoração do legislativo do Maranhão. Ocasião em que reuni famílias, amigos, confrades e companheiros do Rotary.
Abaixo meu discurso:
“Senhora deputada Andréia Rezende, autora desta honraria,
Senhoras e senhores parlamentares, demais autoridades, familiares
amigos, companheiros de caminhada, colegas da Setur, amigos do Colégio Batista, professores, confrades e confreiras, companheiros rotarianos, irmãos PcDs.
Agradeço ao Deus Vivo, Senhor de todas as coisas, pela dádiva da vida, por me guardar, e me trazer de tão longe, permitindo chegar até aqui, neste momento tão significativo. Chego com o coração pleno de gratidão, honra e emoção.
A gratidão é, para mim, a maior das virtudes. Bem-aventurados os que a carregam no coração.
Agradeço aos meus pais, Luiz Magno e Maria da Conceição, in memoriam, pelo dom da vida, pelos exemplos e pelo amor que me ensinaram. A eles devo minhas raízes. Agradeço aos meus filhos, Rodrigo e Frederico, meus maiores bens nesta terra, companheiros fiéis de caminhada. Agradeço às minha nora, Ana Paula, por enriquecer nossa família com afeto e presença. Ao meu primeiro neto, Heitor, que vejo nele o prolongamento dos meus dias sobre a terra.
Recebo a Medalha Manuel Beckman com um sentimento grandioso e luminoso ao mesmo tempo — desses que se assentam fundo, como raiz que encontra água antiga. Esta honraria, a maior do Maranhão, não é apenas um reconhecimento pessoal: é um chamado à memória, à responsabilidade e à permanência.
Minha trajetória nasce do chão do Maranhão, desse solo que ensina resistência antes mesmo de ensinar direção. Como Engenheiro agrônomo, aprendi que trabalhar a terra é trabalhar destinos humanos, e que nenhuma política floresce sem respeito à dignidade.
A vida, mestra exigente, decidiu interromper meus passos. Um acidente automobilístico suspendeu meu corpo no tempo e me lançou numa longa estação de imobilidade. Houve silêncio. Houve medo. Noites densas. O futuro, por algum tempo, pareceu distante, chegou a desaparecer no horizonte.
Aprendi que o tempo não espera por nós. Passa descalço sobre os dias, sem ruído, sem promessa de regresso. Não se comove com as nossas dúvidas
nem abranda diante dos medos que nos prendem. Enquanto pensamos, ele atravessa. Enquanto hesitamos, ele leva consigo um pedaço do que poderíamos ter sido. O tempo não se deixa segurar.
Não aceita mãos fechadas nem pedidos tardios. Não devolve instantes, não remenda escolhas, não repete o brilho exato de um momento vivido.
É rio em fuga, é vento sem morada, é luz que toca e parte.
O que nos resta é o agora, esse lugar frágil e precioso onde a vida ainda respira.
Após o acidente que sofri em julho de 2003, foi então que a esperança, essa forma madura da fé, se impôs. Descobri que caminhar não é apenas mover as pernas: é sustentar a vontade. É acreditar em novos dias. Quando o corpo cessa, a alma precisa assumir o passo. E ela assumiu.
Hoje, com mobilidade reduzida, sigo caminhando apoiado em muletas. Elas deixaram de ser limite para se tornarem companheiras de jornada.
Com coragem e determinação, domei o medo, cruzei a soleira de casa e sai pelo mundo. Pisei em 162 países em todos os continentes da terra. Com muletas fiz travessia. Delas fiz asas. E, por um paradoxo generoso da vida, tornei-me viajante do mundo, levando comigo o Maranhão como identidade inegociável.
Em cada cidade, em cada fronteira, carrego São Luís do Maranhão — sua luz, sua memória, sua vocação para a palavra. Mesmo distante, continuo sendo filho desta aguerrida terra.
Aos 67 anos tornei-me jornalista. A escrita foi meu segundo corpo. Desde menino, foi nos livros da Biblioteca Benedito Leite, e nas páginas dos livros e das revistas que chegavam ao Sítio do Físico, onde passava férias, e que pertenceu ao meu avô, Joaquim Felicio Silva, aprendi a viajar pela imaginação. Primeiro conheci o mundo através dos livros. Filho de educadora, formado no amor aos livros, encontrei na palavra meu modo de permanecer em movimento.
O livro “Das Muletas Fiz Asas” nasceu dessa travessia. Não é relato de dor, mas testemunho de superação. Como disse Jorge Luis Borges, quem realiza um sonho constrói uma parcela de sua própria eternidade. E sonhar sempre foi minha matéria-prima. Sonhar é destino dos vivos.
Nada disso teria sido possível sem o Deus Vivo— presença constante na minha, especialmente diante das tribulações, que me sustenta em todos os momentos. Um Deus que não promete atalhos, mas garante sentido.
Agradeço, ao querido poeta Rinaldo, que conheci através do amigo José Henrique Brandão, que apresentou-me à deputada Andréia Rezende, e graça à sua sensibilidade e generosidade, estou hoje aqui a receber essa importante medalha.
Aos amigos, leitores e familiares, minha gratidão mais funda. São vocês que dão sentido à caminhada. Saio hoje desta Casa melhor do que entrei.
Às novas gerações, deixo uma palavra simples: não é a queda que define o destino, mas a coragem em continuar. Em ser resiliente diante das adversidades. O futuro pertence aos persistentes, aos teimosos, aos que não se abatem. “A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos, só pode exaltar”, cito Antonio Gonçalves Dias, nosso poeta maior.
Todos os dias a vida manda eu desistir, mas teimoso, desobedeço.
Recebo esta medalha não como ponto final, mas como marco de continuidade. Continuo caminhando — com consciência, esperança e Fé no Deus Vivo.
A vida é movimento, a caminhada se faz andando, vamos em frente.
Um brinde à essa coisa mágica e maravilhosa chamada VIDA
Muito obrigado!”
Luiz Thadeu Nunes e Silva
Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e globetrotter
Autor do livro “Das muletas fiz asas”
Instagram: @luiz.thadeu
Facebook: Luiz Thadeu Silva

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Acre cria 27 mil ocupações em 13 anos, mas agropecuária perde 15 mil postos

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A dinâmica do mercado de trabalho é um dos principais indicadores da vitalidade econômica de uma economia local, pois reflete tanto o ritmo de crescimento quanto as transformações estruturais da base produtiva. No caso do Acre, a comparação entre os anos de 2012 e 2025, com base na PNAD Contínua do IBGE, permite observar não apenas a evolução quantitativa da força de trabalho, mas também mudanças qualitativas na composição setorial do emprego, revelando tendências importantes para compreender o atual estágio de desenvolvimento da economia acreana. Começamos com a análise de indicadores da força de trabalho contidos na tabela a seguir:

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A comparação entre o quarto trimestre de 2012 e o de 2025 revela mudanças estruturais importantes no mercado de trabalho do Acre. Em primeiro lugar, observa-se um forte crescimento da população em idade ativa (14 anos ou mais), que passou de 540 mil para 667 mil pessoas — aumento de 127 mil indivíduos, ou 23,5% em 13 anos. No entanto, esse crescimento demográfico não foi acompanhado na mesma intensidade pela expansão da força de trabalho, que avançou apenas 4,8%, passando de 331 mil para 347 mil pessoas. Isso indica que uma parcela relevante do aumento populacional não se traduziu em maior participação no mercado de trabalho.

Por outro lado, houve melhora qualitativa nos indicadores de ocupação. O número de pessoas ocupadas cresceu 6,9% (de 304 mil para 325 mil), enquanto o contingente de desocupados caiu 18,5%, reduzindo-se de 27 mil para 22 mil pessoas. Esse movimento contribuiu para a queda da taxa de desemprego, que passou de 8,2% em 2012 para 6,4% em 2025 — uma redução de 1,8 ponto percentual. Em síntese, apesar do crescimento modesto da força de trabalho frente à expansão da população em idade ativa, o mercado de trabalho acreano apresentou melhora relativa no nível de ocupação e na redução do desemprego ao longo do período analisado.

Do campo aos serviços: a reconfiguração estrutural do emprego no Acre entre 2012 e 2025

A análise da média dos trimestres de 2012 e 2025 contidos na tabela a seguir, confirma que o mercado de trabalho acreano cresceu em termos agregados, mas passou por uma mudança estrutural relevante na composição setorial do emprego. O total de ocupados aumentou 9,2%, passando de 296 mil para 323 mil pessoas — acréscimo de 27 mil trabalhadores. Contudo, esse crescimento não foi homogêneo entre os setores, revelando um processo de reconfiguração produtiva ao longo dos últimos 13 anos.

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O setor de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura apresentou retração significativa, com perda de 15 mil postos de trabalho, passando de 52 mil para 37 mil ocupados (-28,5%). Mesmo utilizando a média anual — que suaviza oscilações sazonais — a queda é expressiva. Em um estado cuja trajetória econômica está historicamente associada ao extrativismo e à agropecuária, essa redução sinaliza mudanças estruturais no meio rural. A incorporação de tecnologias poupadoras de mão de obra, a mecanização, a melhoria genética dos rebanhos e a adoção de técnicas de manejo mais produtivas pode ajudar a explicar parte desse movimento. Produz-se mais com menos trabalhadores. Ao mesmo tempo, persistem fatores como migração rural-urbana e redução da agricultura de subsistência, alterando o perfil ocupacional do campo.

A construção também registrou queda, embora em menor intensidade: de 24 mil para 20 mil ocupados, redução de 4 mil postos (-15,8%). O setor, tradicionalmente sensível aos ciclos de investimento público e ao mercado imobiliário, demonstra perda relativa de dinamismo no período. Essa retração é relevante porque a construção civil costuma absorver mão de obra de média e baixa qualificação, funcionando como importante canal de inserção no mercado formal e informal urbano.

Em contrapartida, os setores de serviços foram os principais responsáveis pela expansão do emprego. Destaca-se o grupamento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que cresceu 73,3%, incorporando 16 mil novos ocupados (de 22 mil para 37 mil). Esse é um dos sinais mais claros de diversificação econômica e maior presença de atividades técnicas e especializadas. A administração pública, educação, saúde e serviços sociais também ampliou seu contingente em 10 mil pessoas (+14,3%), mantendo-se como um dos pilares do emprego estadual. Comércio (+9,7%), transporte (+32,4%), alojamento e alimentação (+34%) e outros serviços (+57,1%) reforçam a tendência de fortalecimento do setor terciário.

Em síntese, mesmo com crescimento total da ocupação, o Acre viveu, entre 2012 e 2025, um processo de transição estrutural: redução consistente do emprego no setor primário e na construção e expansão significativa dos serviços, sobretudo os de maior complexidade e ligados à esfera pública. O mercado de trabalho acreano tornou-se menos rural em termos de ocupação e mais urbano e terceirizado, refletindo modernização produtiva, mudanças demográficas e novas dinâmicas econômicas no estado.

Ao final desse percurso de 13 anos, os dados revelam um mercado de trabalho que melhorou em termos de desemprego — com queda da taxa de 8,2% para 6,4% —, mas que se transformou profundamente em sua estrutura. O crescimento da população em idade ativa foi muito superior ao avanço da força de trabalho, indicando desafios de participação e absorção produtiva. Ao mesmo tempo, a expansão do emprego concentrou-se no setor de serviços, especialmente nas atividades mais qualificadas e na administração pública, enquanto o setor primário e a construção perderam peso relativo na geração de ocupações.

Esse movimento aponta para uma economia acreana menos dependente do trabalho rural tradicional e mais ancorada em atividades urbanas e terciárias. Trata-se de um processo que combina modernização, ganhos de produtividade e diversificação econômica, mas que também impõe desafios estratégicos: qualificar a mão de obra, ampliar a base produtiva privada e fortalecer cadeias que agreguem valor à produção local. O futuro do emprego no Acre dependerá, cada vez mais, da capacidade de transformar essa transição estrutural em desenvolvimento sustentável, com geração de renda, inovação e inclusão social.

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